Em junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, Cecafé destaca avanços em preservação, carbono e boas práticas no campo

No dia 5 de junho, o mundo celebrou o Dia Internacional do Meio Ambiente, uma data que convida à reflexão sobre a necessidade de conciliar produção, conservação e desenvolvimento sustentável. No Brasil, essa agenda encontra um exemplo concreto e robusto na cafeicultura, setor que alia tradição, inovação, compromisso ambiental e com as pessoas, posicionando o país como líder no fornecimento global de cafés sustentáveis.

A sustentabilidade no campo não é apenas um conceito, mas uma realidade mensurável em nosso país. Estudos recentes da Embrapa Territorial demonstram que 65,6% do território nacional permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agropecuária ocupa cerca de 31,3% da área total. Esse equilíbrio revela um modelo singular no mundo: o Brasil consegue produzir alimentos, fibras e energia em larga escala, ao mesmo tempo que preserva extensas áreas de florestas e outros biomas.

Outro indicador relevante reforça esse cenário: para cada hectare destinado à produção agropecuária, há aproximadamente 0,9 hectare de vegetação nativa preservada dentro das propriedades rurais, proporção que pode chegar a 1,9 hectare na Amazônia. Esses números evidenciam o papel ativo do produtor rural brasileiro na conservação ambiental, indo além das exigências legais.

 

Inserida nesse contexto, a cafeicultura se destaca como uma das atividades agrícolas fortemente alinhada às boas práticas socioambientais. Pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) , no Estado responsável por cerca de 50% da produção de café do Brasil, comprova esse alinhamento. O estudo aponta que 99% das 115 mil propriedades cafeeiras mineiras registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) não apresentaram desmatamento relevante após 2008, caracterizando a produção como uma cadeia livre de desmatamento.

Além disso, cerca de um terço dessas propriedades possui mais vegetação nativa do que o mínimo exigido pelo Código Florestal, totalizando aproximadamente 302 mil hectares de excedente de florestas preservadas. Esse dado reforça o papel do café não apenas como atividade produtiva, mas também como gerador de serviços ecossistêmicos essenciais, como conservação da biodiversidade, proteção de recursos hídricos e sequestro de carbono.

Os avanços na agenda climática também são expressivos. Estudos conduzidos no âmbito da agenda de carbono do Cecafé, em parceria com o professor Carlos Eduardo Cerri, da Esalq/USP, e o Imaflora, mostram que a cafeicultura brasileira contribui de forma significativa para a mitigação das mudanças climáticas. Em Minas Gerais, por exemplo, os resultados indicaram que cada hectare de café armazena, em média, 183 toneladas de CO₂ equivalente na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais. No Espírito Santo, esse número chega a de 338,67 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café cultivado.

Além do estoque de carbono na vegetação nativa, a própria lavoura cafeeira atua como agente de mitigação. Com a adoção de boas práticas agrícolas — como manutenção de cobertura vegetal, incremento de matéria orgânica no solo e uso de fertilizantes mais eficientes —, a produção de café arábica de Minas Gerais retém cerca de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano, em excedente a tudo o que emite de gases de efeito estufa.

No caso do café conilon, no Espírito Santo, diferentes cenários de mudança de uso do solo foram avaliados e também apresentam balanço de carbono negativo. Considerando a transição de pastagem para a produção tradicional de café, o balanço é negativo em 3,01 t CO2eq/ha/ano e este valor salta para menos 8,24 t CO2eq/ha/ano na transição de pastagem para produção de conilon com práticas sustentáveis. No cenário de alteração do manejo agrícola, partindo do cultivo tradicional para a atividade cafeeira com adoção de práticas mais conservacionistas, o conilon capixaba registra balanço negativo de carbono da ordem de menos 1,36 tonelada de CO2eq por hectare ao ano.

Esses resultados demonstram que o café brasileiro não apenas reduz impactos ambientais, mas também contribui ativamente para soluções globais relacionadas ao clima.

Para ampliar ainda mais esses benefícios, o setor exportador tem investido em iniciativas que fortalecem a adoção de boas práticas no campo. Um exemplo é a parceria entre Cecafé e Emater-MG, no âmbito do programa “Construindo Solos Saudáveis”, que implementou unidades demonstrativas e promoveu dias de campo para capacitar produtores e técnicos sobre o uso de cultivos de cobertura na entrelinha do café. Essas práticas melhoram a saúde do solo, aumentam a resiliência das lavouras e contribuem para a sustentabilidade da produção.

Outra iniciativa relevante é o Programa Produtor Informado – https://www.produtorinformado.com.br/ -, que oferece capacitação gratuita e acessível sobre temas como boas práticas agrícolas, conformidade socioambiental e uso de tecnologias no campo. A iniciativa já beneficiou milhares de produtores e profissionais, reforçando o papel do conhecimento como ferramenta essencial para a sustentabilidade.

Essas ações estão alinhadas a um esforço mais amplo do Cecafé e de seus associados, que representam cerca de 96% dos embarques nacionais de café, conectando os grãos do Brasil a consumidores de mais de 120 destinos internacionais. Ao incentivar práticas responsáveis e investir em inovação, o setor exportador contribui para consolidar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de cafés sustentáveis e de alta qualidade.

Neste mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, a cafeicultura brasileira reafirma seu compromisso com a preservação dos recursos naturais e com o desenvolvimento sustentável. Os dados científicos são claros: é possível produzir mais, com eficiência e responsabilidade, mantendo florestas em pé e contribuindo para o combate às mudanças climáticas.

A mensagem que emerge desse conjunto de evidências é inequívoca: os Cafés do Brasil preservam o meio ambiente. E, com o engajamento crescente de produtores, técnicos, exportadores e instituições, o país segue fortalecendo sua posição de liderança no fornecimento global de cafés sustentáveis, atendendo às expectativas de mercados cada vez mais exigentes e contribuindo para um futuro mais equilibrado para todos.

Marcos Matos
Diretor Geral do CECAFÉ

Silvia Pizzol
Diretora de Sustentabilidade do CECAFÉ