IPEP 2025.4 – Índice de Participação na Exportação do Produtor – Café Arábica

O IPEP do café arábica encerrou o ano-safra 2025/2026 em 88,2%, confirmando mais uma vez o elevado grau de integração entre o mercado interno brasileiro e o mercado internacional. O resultado demonstra que o exportador brasileiro continua transferindo praticamente toda a remuneração obtida no mercado FOB para os preços pagos aos produtores no mercado doméstico, absorvendo, dentro dessa diferença de 11,8%, todos os custos inerentes à exportação, como transporte, armazenagem, beneficiamento, despesas portuárias, certificações, custos financeiros, risco cambial e demais encargos operacionais.

A safra foi marcada por um ambiente de preços excepcionalmente elevados. O preço médio FOB alcançou US$ 413,91 por saca, um dos maiores patamares já registrados para o café arábica brasileiro, refletindo a combinação de estoques mundiais reduzidos, sucessivos problemas climáticos e forte demanda internacional. No mercado interno, as diferentes qualidades de café acompanharam essa valorização. As médias da safra atingiram US$ 371,64 por saca para o café de bebida Dura, US$ 338,13 para Riada, US$ 315,20 para Rio, US$ 346,10 para a Média 1 entre qualidades e US$ 364,66 para a Média ponderada 2 de 3 meses, consolidando um dos anos de maior remuneração da cafeicultura brasileira nas últimas décadas.

Durante praticamente todo o ano de 2025, e o mercado conviveu com forte preocupação em relação à gravosidade da operação de exportação. A menor disponibilidade de cafés de melhor qualidade, sustentaram um ambiente de elevada volatilidade e contribuíram para a manutenção de preços historicamente elevados no mercado interno.

O comportamento trimestral do indicador evidencia essa dinâmica. No primeiro trimestre de 2025, quando já predominavam maiores incertezas sobre a produção brasileira, o IPEP registrou 89,1%. No segundo e terceiro trimestres, a relação entre os preços internos e o mercado FOB manteve-se bastante elevada, com indicadores de 97,0% e 97,5%, respectivamente. Já no quarto trimestre de 2025 e no primeiro semestre de 2026, com a consolidação da expectativa de safra e redução da demanda internacional, a remuneração das exportações passou a superar de forma mais consistente os preços domésticos, levando o indicador para 88,4%, 83,7% e 83,1%, encerrando o ano-safra em 88,2%.

Mais do que indicar uma vantagem econômica da exportação, esse resultado evidencia a eficiência da cadeia exportadora brasileira. Um IPEP de 88,2% significa que o produtor nacional recebeu, em média, quase nove décimos do valor FOB internacional, apesar de todas as despesas necessárias para colocar o café brasileiro nos mercados consumidores. Em outras palavras, a diferença entre os preços internos e externos corresponde, em grande medida, aos custos efetivos da exportação, demonstrando que o exportador brasileiro opera com elevada competitividade e repassa praticamente todo o valor internacional ao mercado interno.

A safra 2025/2026 ficará registrada como uma das mais relevantes da história recente da cafeicultura brasileira. Além de apresentar um dos maiores níveis de preços já observados para o café arábica, confirmou a capacidade do setor exportador brasileiro de transmitir ao produtor os ganhos obtidos no mercado internacional, preservando a competitividade do Brasil como principal fornecedor mundial de café arábica. O resultado do IPEP reforça, assim, a eficiência do sistema de comercialização brasileiro e a forte integração entre o mercado doméstico e o comércio internacional.

(1)Esalq; (2) e (3) CCCMG; Média 1 – Média ponderada entre qualidades. Média 2 – Média móvel ponderada de 3 meses.