Cecafé apresentou a cafeicultura brasileira como um ativo para a mitigação das mudanças climáticas

A 30ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP30, realizada em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro de 2025, foi uma oportunidade única para o Brasil mostrar ao mundo que o agronegócio nacional é parte da solução para os desafios climáticos globais.

Em meio às discussões sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o país apresentou dados concretos, com base científica, que comprovam a sustentabilidade do agro e o papel fundamental das propriedades rurais na preservação das florestas.

Merece destaque a atualização do estudo “Atribuição, ocupação e uso das terras no Brasil”, apresentado pela Embrapa Territorial . Com base em análises avançadas de sensoriamento remoto e cruzamento de dados geoespaciais, o levantamento revelou que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, incluindo unidades de conservação e áreas preservadas dentro de propriedades rurais.

As terras ocupadas com atividades agropecuárias representam 31,3% do território nacional, isto é, 266,3 milhões de hectares. Essa área se distribui em 165,1 milhões de hectares para pastagens (19,4% do território brasileiro), 91,9 milhões de hectares para o cultivo de lavouras temporárias e permanentes (10,8% do país) e 9,3 milhões de hectares para a silvicultura.

Tais números posicionam o Brasil como um case diferenciado no mundo, pois atribui 31% de suas terras para contribuir significativamente para o abastecimento global de alimentos, ao mesmo tempo em que prioriza a conservação ambiental, preservando vegetação nativa em 65% de seu território.

Um dado relevante é a relação entre áreas produtivas e preservadas no país: para cada hectare ocupado pela agropecuária, há 0,9 hectare de vegetação nativa preservada dentro das propriedades rurais, chegando a 1,9 hectare na Amazônia. Essa proporção evidencia que as propriedades rurais brasileiras não apenas cumprem a legislação ambiental, mas também desempenham um papel ativo na manutenção dos biomas.

Com um olhar mais direcionado à cafeicultura, o Cecafé também participou de vários debates no Espaço AgriZone e nos Pavilhões da França e da Itália na Blue Zone da COP30. Em alinhamento aos resultados do estudo da Embrapa Territorial, a entidade reforçou como a cafeicultura brasileira é capaz de abastecer o mundo e, ao mesmo tempo, preservar vegetação nativa e contribuir para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Foram destacadas as pesquisas conduzidas como parte da agenda de carbono do Cecafé, em parceria com o professor Carlos Eduardo Cerri, da Universidade de São Paulo (USP), e o Imaflora, que quantificaram os benefícios ambientais da vegetação nativa preservada em fazendas de café de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Nas fazendas avaliadas no estudo conduzido em Minas Gerais, uma média de 183 t CO2eq estão estocadas na forma de áreas de preservação permanente e reserva legal para cada hectare ocupado com cafeicultura. No Espírito Santo, constatou-se que, para cada hectare de café conilon cultivado, 338,67 t CO2eq estão estocadas na forma de vegetação nativa preservada nas fazendas avaliadas.

Além disso, o Cecafé evidenciou os benefícios climáticos gerados pelo café brasileiro cultivado com boas práticas. Conforme constatado pela agenda de carbono da entidade, com a adoção de boas práticas agrícolas — como adição de matéria orgânica ao solo, a manutenção de cobertura vegetal na entrelinha do café e a preferência por fertilizantes organominerais —, a cafeicultura de arábica de Minas Gerais retém aproximadamente 10,5 toneladas de CO₂ e equivalentes por hectare por ano no solo e nas plantas, além do que emite para a atmosfera.

No Espírito Santo, benefícios similares são observados em diferentes cenários de produção de café conilon. Na mudança de uso do solo de pastagem para a cafeicultura convencional, o balanço de carbono é negativo, em aproximadamente 3,01 toneladas de CO₂ equivalente por hectare por ano. Esse valor cai ainda mais,
para –8,24 toneladas métricas de CO₂ e equivalentes por hectare ao ano na transição de pastagem para a produção sustentável de conilon. Em um terceiro cenário, na transição do manejo convencional para a adoção de boas práticas, o balanço de carbono também é negativo, em aproximadamente –1,36 tonelada de CO₂ e equivalentes por hectare por ano.

As pesquisas supracitadas e divulgadas na COP30 reforçam que o Brasil é um dos poucos países capazes de conciliar produção agrícola competitiva com conservação de recursos naturais, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a segurança alimentar global.

Cecafé enaltece sustentabilidade da cafeicultura brasileira a mais de 190 delegações globais na COP 30


A COP30 se mostrou uma vitrine para o Brasil assumir protagonismo global na transição verde, baixo carbono, evidenciando todo o potencial que o país possui como centro de sustentabilidade e inovação e para reposicionar a imagem internacional do país, que é referência mundial em inovação de agricultura tropical sustentável e segurança alimentar global.

Por meio de uma unificação de vozes e estratégias, tendo como alicerce o Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical, liderado pelo professor e ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o agro brasileiro esteve institucional e oficialmente inserido no principal ambiente global de debates sobre mudanças climáticas e meio ambiente.

Com os exemplos vindos do café e das informações reunidas a partir de diversos projetos e programas de sustentabilidade conduzidos pelo Cecafé, em parceria com os exportadores associados, produtores e instituições públicas e privadas, foram apresentadas contribuições em todas as etapas de debates e construção de
políticas voltadas à questão climática, tanto do lado brasileiro, quanto do lado das delegações de outros países.

Pavilhão Brasil (14/11)

No Pavilhão do Brasil e na Agrizone, espaço estruturado pela Embrapa e pelo Sistema CNA Senar, ao lado das demais entidades da cadeia produtiva do café no Brasil, o Cecafé participou das programações para apresentar a cafeicultura como solução para enfrentamento das anomalias climáticas e reafirmar o compromisso do setor com a sustentabilidade, a inovação e a busca pelo reposicionamento do setor diante dos desafios geopolíticos e das novas regras ao fluxo do comércio.

O Cecafé reconhece a relevância da iniciativa do Sistema CNA Senar na criação e na condução da ‘Agrizone – Pavilhão Agro Brasil’, reforçando um modelo a ser replicado nas futuras COPs.

Pavilhão da França (19/11)

A convite do governo francês, em conjunto com o Instituto Florestal Europeu (EFI, em inglês), o Cecafé participou do debate em alto nível “Construindo parcerias e soluções para cadeias de valor livres de desmatamento”. O evento reuniu autoridades do primeiro escalão dos Ministérios de Meio Ambiente de França, Alemanha, Espanha e Países Baixos, teve direção de sustentabilidade da empresa Danone e representação de países produtores.

O Cecafé mostrou os dados que reforçam a sustentabilidade nas 39 regiões produtoras, apresentando a cafeicultora familiar (78% de todos os cafeicultores acessam o Pronaf), correlação da atividade com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano nas regiões produtoras, maior repasse de preços Free on Board (FOB) da exportação aos cafeicultores – média de 92% nas últimas safras – e preservação ambiental acima do exigido pelo Código Florestal Brasileiro.

O Cecafé salientou as ações da entidade como o Pacto Social do Café e todas as atividades em andamento com o Ministério do Trabalho e Emprego e fi scais do trabalho para fortalecer o diálogo e as boas práticas trabalhistas, que foram destacadas pela empresa Danone como exemplo e referência a todos os países.

O Cecafé destacou, ainda, a contratação da pesquisa coordenada pelo professor Carlos Eduardo Cerri, da Universidade de São Paulo (USP), e pelo Imafl ora, para avaliar o balanço de carbono na cafeicultura.

Também foram demonstradas as ações realizadas pelo setor exportador de café diante das novas regras ao fl uxo do comércio. Durante os debates, o Cecafé ressaltou que o Brasil é a origem cafeeira em estágio mais avançado para atender aos requisitos do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

A Plataforma de Monitoramento Socioambiental ‘Cafés do Brasil’, uma parceria do Cecafé com a Serasa Experian, tem permitido que os exportadores gerem evidências conclusivas e verifi cáveis de que o café é livre de desmatamento após 31 de dezembro de 2020 e que foi produzido em conformidade com a legislação brasileira pertinente. Atualmente, a ferramenta é utilizada por cerca de 60 membros, entre empresas e cooperativas associadas ao Cecafé, que respondem por aproximadamente 99% dos embarques à União Europeia.

As evidências são extraídas de bancos de dados públicos do governo brasileiro e de sistemas de monitoramento de desmatamento amplamente utilizados, como Prodes e MapBiomas Alerta, todas auditáveis.

Com esses dados sobrepostos ao banco de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Plataforma permite que os exportadores forneçam evidências consistentes que o café brasileiro não é cultivado em terras desmatadas.

Pavilhão da Itália (19/11)

No espaço idealizado pela delegação do governo italiano, foram destacadas as iniciativas como o “Selo Verde” e as parcerias público-privadas para fortalecer o comércio internacional sustentável. Ao lado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Abiove, WWF, WRI e Imafl ora, o Cecafé destacou todas as ações para cumprimento do EUDR, que vem agregando valor às exportações de café brasileiro ao bloco europeu.
Além disso, a entidade reforçou que o Brasil é o país que mais repassa o preço FOB da exportação vaos cafeicultores, acima de 90% nos últimos anos.

Os debates nos principais fóruns internacionais da COP30 demonstraram a relevância e o prestígio do Cecafé para as autoridades dos mais diversos e exigentes mercados de café no mundo.
A principal mensagem do Cecafé para as mais de 190 delegações é de que o café brasileiro é parte da solução para a geração de renda no campo e para o combate às anomalias climáticas. O café brasileiro é referência mundial em sustentabilidade, qualidades, diversidade e credibilidade.

Marcos Matos
Diretor Geral do CECAFÉ

Silvia Pizzol
Diretora de Sustentabilidade do CECAFÉ