A receita cambial de US$ 14,595 bilhões, contudo, é a segunda maior da série histórica, refletindo os bons preços entre setembro de 2025 e janeiro de 2026
O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 kg de café, para 125 países, nos 12 meses do ano-safra 2025/26, volume que representa queda de 15,7% na comparação com o intervalo de julho de 2024 a junho de 2025. A receita cambial com os embarques teve leve recuo de 1%, para US$ 14,595 bilhões, mas alcançou o segundo melhor desempenho na série histórica, atrás somente da temporada 2024/25. Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A performance no ciclo cafeeiro 2025/26 foi alcançada com a exportação dos 3,060 milhões de sacas e o ingresso de US$ 972,8 milhões em junho deste ano, que representaram alta de 16,9% em volume e recuo de 6% em receita.
Esses números também elevaram os embarques de café do Brasil, no primeiro semestre de 2026, a 17,831 milhões de sacas, com queda de 8,3% frente ao período de janeiro a junho de 2025, e a receita cambial para US$ 6,534 bilhões, 13,3% inferior ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o presidente de conselho do Cecafé, Márcio Ferreira, a queda nas exportações no ano-safra recém-concluído era aguardada devido à menor disponibilidade do produto.
“Após exportações recordes em 2024, os estoques brasileiros reduziram significativamente. Aliado a isso, a safra 2025 foi afetada por adversidades climáticas, o que diminuiu a oferta de café”, explica.
Ele completa que os gargalos logísticos no setor portuário brasileiro também impactaram o desempenho dos embarques.
“Com infraestrutura defasada nos principais portos do Brasil, vimos pátios abarrotados e muitos atrasos na saída dos navios ao exterior, o que impossibilitou o embarque de centenas de milhares de sacas e gerou prejuízos milionários aos exportadores com custos extras devido a armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, comenta.
Não bastasse esse contexto, Ferreira recorda que o tarifaço de 50% imposto aos cafés do Brasil, por cerca de quatro meses, também auxiliou na derrubada dos embarques aos EUA em mais de 50% nesse intervalo, consolidando a redução no acumulado do ano-safra.
De 6 de agosto a 21 de novembro – com retroatividade ao dia 13 –, período de vigência das taxas impostas pelos Estados Unidos, as exportações dos cafés brasileiros ao país despencaram 54,9% na comparação com os mesmos quatro meses de 2024, saindo de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.
“Depois da retirada do tarifaço sobre a maioria dos cafés brasileiros, recordando que o solúvel segue taxado para ingressar no mercado americano, notou-se a retomada dos negócios entre os dois países, mas, até o momento, o ritmo mais normal dessas transações não foi alcançado em função da instabilidade e das incertezas relativas à política comercial dos EUA, como ainda aguardamos, hoje, o anúncio do resultado das investigações da Seção 301 do (United States Trade Representative) USTR”, analisa.
O presidente do Cecafé agrega que o cenário financeiro dos produtores também impactou o ritmo das exportações na safra passada.
“Os cafeicultores estão capitalizados por conta dos bons preços nos últimos anos, assim, diante de estoques limitados no período de entressafra, até maio para a variedade canéfora (conilon + robusta) e até este mês para a arábica, eles estiveram confortáveis para negociar seu café remanescente aproveitando as melhores oportunidades de mercado, limitando os embarques”, revela.
A respeito da segunda melhor receita cambial da história para anos-safra, apenas 1% abaixo do ciclo anterior, ele recorda que o valor só não foi o recorde absoluto em função do menor volume embarcado, uma vez que a conjuntura mercadológica foi positiva, em especial com as elevadas cotações internacionais entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo Ferreira, os fundamentos já eram favoráveis à alta há algumas safras, com oferta e demanda ajustadas ou com déficit de oferta devido ao impacto das adversidades climáticas nos principais países produtores, principalmente no Brasil.
“Além disso, nossos cafeicultores, bem-organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. O preço médio das exportações na safra passada, de US$ 379,48 por saca, é o maior da história e 17,4% superior ao anterior, o que justificaria uma receita recorde, não fossem os entraves que impossibilitaram o embarque de centenas de milhares de sacas”, fundamenta.
Ademais, no contexto mais atual, o presidente do Cecafé anota que as incertezas climáticas e o atraso da colheita não propiciaram uma antecipação de vendas por parte do produtor, ocasionando, pelo contrário, uma postura mais conservadora, retraindo ainda mais a possibilidade de aumento das exportações no mês de junho.
“No geral, o mercado segue aguardando a evolução da colheita de arábica para entender os números finais, assim como checar a qualidade, parcialmente afetada pelas chuvas, fatores que também serão determinantes para as exportações no ano-safra que se inicia neste mês de julho”, conclui.
PRINCIPAIS DESTINOS
O impacto do tarifaço também foi sentido no ranking dos principais importadores dos cafés do Brasil no ano-safra 2025/26, com os Estados Unidos perdendo o posto de maior parceiro comercial do produto que ocupava desde o ciclo 2009/10.
A Alemanha assumiu a dianteira em 2025/26, com a aquisição de 5,188 milhões de sacas, montante que representa 13,5% dos embarques totais do Brasil no período, apesar de implicar queda de 20,6% na comparação com o mesmo intervalo da temporada 2024/25.
Os EUA aparecem na sequência, com 4,243 milhões de sacas – 11% do total –, o que representa um declínio de 43,2% ante os 12 meses do ciclo antecedente. Fechando o top 5, vêm Itália, com 3,267 milhões de sacas e recuo de 8,1%; Bélgica, com 2,330 milhões de sacas e baixa de 24,7%; e Japão, com 2,300 milhões de sacas e leve alta de 0,2%.
TIPOS DE CAFÉ
O café arábica, com 29,499 milhões de sacas, foi o mais exportado pelo Brasil entre julho de 2025 e junho de 2026. Esse volume responde por 76,7% do total, mesmo representando queda de 15,3% frente à safra 2024/25.
A espécie canéfora (conilon + robusta) veio na sequência, com o embarque de 5,031 milhões de sacas (13,1% do geral), apresentando declínio de 23,5% ante o remetido ao exterior nos 12 meses da temporada cafeeira anterior.
O segmento do café solúvel, com 3,874 milhões de sacas (10,1% do total) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 56.860 sacas (0,1%) completam a lista.
CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,2% das exportações totais brasileiras no ano-safra 2025/26, com o envio de 7,388 milhões de sacas ao exterior, volume que representa recuo de 17,1% frente ao registrado no mesmo intervalo anterior.
A um preço médio de US$ 427,70 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 3,160 bilhões, o que corresponde a 21,7% do obtido com todos os embarques de café no ciclo 2025/26. No comparativo com a safra antecedente, o valor é 4% inferior.
A Alemanha liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 1,054 milhão de sacas, o equivalente a 14,3% do total desse tipo de produto exportado.
Fechando o top 5, aparecem EUA, com 959.870 sacas e representatividade de 13%; Bélgica, com 754.459 sacas (10,2%); Holanda (Países Baixos), com 634.267 sacas (8,6%); e Itália, com 549.423 sacas (7,4%).
PORTOS
O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no ano-safra 2025/26, com 28,859 milhões de sacas e representatividade de 75% no total.
Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,4% dos embarques ao remeter 8,249 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 377.914 sacas e teve representatividade de 1%.
O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil no ano safra 2025/26 está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.
SOBRE O CECAFÉ
Fundado em 1999, o Cecafé representa e promove ativamente o desenvolvimento do setor exportador de café nos âmbitos nacional e internacional. A entidade oferece suporte às operações do segmento por meio do intercâmbio de inteligência de dados, ações estratégicas e jurídicas, além de projetos de cidadania e responsabilidade socioambiental. Atualmente, possui mais de 100 associados, entre exportadores, produtores, associações e cooperativas de café no Brasil, que respondem por 96% dos agentes desse mercado no país.
Mais informações à imprensa:
Paulo André C. Kawasaki
Gerente de Comunicação – Cecafé
(61) 3079-3755 / pauloandre@cecafe.com.br
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