IPEP-C 2026.2 – Índice de Participação na Exportação do Produtor – Café Conilon
O IPEP do Conilon
O IPEP-C da safra 2025/2026 foi de 93,0%, confirmando que o mercado interno brasileiro de café conilon permaneceu alinhado ao mercado internacional ao longo de um dos períodos de preços mais elevados da história da cafeicultura.
Durante o ano-safra, o preço médio FOB das exportações brasileiras atingiu US$ 244,54 por saca, enquanto que o preço médio do café conilon no mercado interno foi de US$ 219,29 por saca, resultando em uma média ponderada de 3 meses de US$ 228,63 por saca e no IPEP-C de 93%.
A evolução do indicador ao longo da safra ilustra a dinâmica do mercado. O primeiro semestre de 2025 refletia um ambiente de forte escassez de matéria-prima, levando o mercado doméstico a pagar, em diversos momentos, preços superiores aos da exportação. A partir do segundo trimestre de 2025, o início do ano-safra, a valorização do valor das vendas externas passou a superar a do mercado interno, fazendo com que o IPEP-C permanecesse abaixo de 100% durante praticamente todo o restante da safra.
Para o ano-safra. o diferencial médio de apenas 7% é insuficiente para compensar integralmente despesas de exportação como fretes, armazenagem, custos portuários, certificações, despesas financeiras, riscos cambiais e os prazos maiores de recebimento inerentes às operações internacionais. Essa é a consequência, de um mercado interno extremamente ativo, mantendo forte capacidade de absorção da produção nacional de conilon.
Outro aspecto que merece destaque é o patamar absoluto de preços observados durante a safra. Independentemente da comparação entre os mercados interno e externo, o café conilon brasileiro foi negociado por valores médios ligeiramente mais baixos do que no início de 2025, mas ainda entre os mais altos das últimas décadas. Tanto os preços FOB quanto as cotações domésticas permaneceram em níveis historicamente elevados, refletindo uma combinação de oferta restrita, demanda firme e estoques reduzidos nos principais países produtores e consumidores.
Esse cenário representou uma mudança estrutural importante para a cafeicultura de conilon. Depois de muitos anos em que o mercado foi caracterizado por preços relativamente baixos e margens reduzidas, a safra 2025/2026 consolidou um ambiente de remuneração significativamente superior ao padrão histórico. Os preços recordes estimularam novos investimentos nas lavouras, favoreceram a recuperação da rentabilidade dos produtores e reforçaram a importância crescente do conilon brasileiro no abastecimento mundial.
O resultado do IPEP-C demonstra, portanto, que o mercado doméstico acompanhou de forma eficiente a valorização internacional do café. Ao mesmo tempo, a safra ficará marcada como uma das mais rentáveis da história recente da cafeicultura brasileira, consolidando um alto patamar de preços para o café conilon e reafirmando a competitividade do produto brasileiro tanto no mercado interno quanto nas exportações.
METODOLOGIA
Para o preço interno, utilizamos a série de preços publicada pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)2. A partir do valor do preço médio mensal da CEPEA, em dólares americanos, calculamos, para comparação, uma média ponderada de três meses do preço do mercado interno P de acordo com a fórmula:
P=(Preço do mês p∗0,2)+(p-1∗0.5)+ (p−2∗0.3) onde p-1 e p-2 representam os preços dos dois meses anteriores.
Essa formulação, estima o fato de que as exportações do mês corrente foram contratadas (ou precificadas) com um ‘lag’ temporal de 1 ou 2 meses. A partir do cálculo do preço ponderado P calculamos o IPEP-C dividindo P, pelo valor do preço médio FOB.