IPEP 2025.4 – Índice de Participação na Exportação do Produtor – Café Arábica

O IPEP Arábica de 2025 encerrou o ano em 93,0%, confirmando a alta competitividade do café brasileiro no mercado internacional, porém com margens operacionais extremamente apertadas para o comércio exportador.

O indicador, calculado e divulgado semestralmente pelo Cecafé, compara o preço médio interno recebido pelos produtores com o valor FOB praticado nas exportações brasileiras de café Arábica.

Em termos de preços, 2025 foi um ano absolutamente excepcional. O preço interno médio anual (Média 1 = média ponderada das qualidades de Arábica) atingiu U$ 392,14, enquanto o preço médio FOB alcançou U$ 415,31, ambos os maiores níveis de toda a série histórica.

Ainda assim, a diferença média de apenas 7% entre o mercado interno e o valor FOB – ou seja, um IPEP de 93% – é insuficiente para absorver os custos de preparo do café, financiamento, armazenagem e logística, em um ambiente de custos elevados e elevada volatilidade.

O comportamento mensal reforça essa excepcionalidade. O maior nível de preços internos em 2025 ocorreu em fevereiro, quando a média ponderada das qualidades de café Arábica atingiu U$ 446,08, acompanhada por valores recordes nas referências internas, com o preço médio de café de bebida dura, de acordo com a ESALQ, alcançando U$ 455,87.

Ao longo do ano, o IPEP apresentou momentos críticos, com valores próximos ou superiores a 100%, indicando períodos em que o preço interno se igualou ou superou o valor FOB, comprimindo severamente as margens do exportador e, pontualmente, tornando a operação economicamente inviável.

Esse cenário evidencia que preços elevados não significam, necessariamente, maior rentabilidade para o setor exportador.

Pelo contrário, a combinação de preços recordes, custos crescentes e margens estreitas aumenta a exposição financeira e operacional, eleva o risco de descasamento de caixa e reduz a capacidade de absorção de choques logísticos ou cambiais.

O IPEP Arábica 2025, portanto, reforça a necessidade de planejamento rigoroso, gestão eficiente de riscos e políticas estruturais que preservem a sustentabilidade econômica da exportação brasileira de café no médio e longo prazo.

(1)Esalq; (2) e (3) CCCMG; Média 1 – Média ponderada entre qualidades. Média 2 – Média móvel ponderada de 3 meses.