Apesar do cenário externo de incertezas, sobretudo em relação à política comercial americana, aproximação entre países é vista como forma de alcançar melhor ambiente de negócios

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) foi parceiro institucional e participou do Encontro Empresarial Brasil-EUA 2026 promovido pela Amcham Brasil | Câmara Americana de Comércio para o Brasil, no dia 7 de abril, em sua sede, em São Paulo (SP).

O evento reuniu autoridades, especialistas e lideranças empresariais para discutir temas centrais da relação econômica entre os dois países e trouxe análises sobre política comercial americana, tarifas, ambiente político, reshoring, investimentos e oportunidades para empresas com atuação no eixo BR-EUA.

Representando o governo federal, a secretária de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, e o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua (foto à direita), participaram de um painel sobre construção de uma agenda econômica de resultados com os Estados Unidos.

Tatiana alertou que as exportações brasileiras aos norte-americanos representaram menos de 10% no primeiro trimestre de 2026 frente a outros destinos e que aproximadamente 300 empresas nacionais pararam de exportar aos EUA após o tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump, o que acelerou o processo de ampliação de acordos bilaterais com outros países pelo governo brasileiro.

Em sua explanação, Rua mencionou o café verde como principal produto do agro exportado aos EUA e a preocupação que as taxas aplicadas geraram ao setor durante seu processo de vigência – o café solúvel ainda segue sob tarifas.

A respeito das investigações na Seção 301, que pode trazer implicações tarifárias ao Brasil por falta de conhecimento da realidade ambiental e trabalhista no país, o secretário do Mapa citou o Programa Agro Brasil + Sustentável como ferramenta que pode colaborar para melhorar a visão americana sobre o agronegócio brasileiro e afirmou que houve redução de 50% no desmatamento na Amazônia.

Na programação do evento, os representantes do governo, institucionais e de empresas no Brasil reforçaram a importância dos Estados Unidos na estratégia para negócios, apesar do cenário externo de incertezas, sobretudo em relação à política comercial americana.

Um ponto de consenso foi a necessidade de estreitamento de laços entre os países para que se alcance um melhor ambiente de negócios, criando agenda bilateral para além do comércio tradicional, de forma a se eliminar o receio diante de uma virtual rodada de novas tarifas.

No encerramento, mesmo com as incertezas e a postura de cautela mencionados, evidenciou-se que a relação Brasil-EUA é vista com bons olhos, ponto reforçado pelo conselheiro comercial do Departamento de Comércio norte-americano, Dean Matlack: “os países compartilham mais semelhanças do que diferenças”.

Ele afirmou que o relacionamento bilateral Brasil-EUA representa “força e dinamismo”, o que ajuda a explicar por que mais de 3 mil empresas americanas investiram mais de US$ 220 bilhões no Brasil e porque existem empresas brasileiras investindo nos EUA, ampliando a presença global. “É um ganha-ganha para nós”, completou.

Fotos: Amcham Brasil